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Desabafos Agridoces

"Not all girls are made of sugar and spice...Some are made of sarcasm and nothing is fine"

Desabafos Agridoces

"Not all girls are made of sugar and spice...Some are made of sarcasm and nothing is fine"

Book Lover Problems - XVII

Andei a contar os livros que me faltam ler e são trinta e oito. Por acaso tinha pensando que fossem mais...Claro que tive logo que repelir este pensamento não fosse a minha parte consumista levar a melhor. Mas realmente acho que não posso ser considerada uma hoarder, talvez a ideia de não comprar mais livros mesmo em promoção seja severa de mais. Os bibliófilos são peritos em cair na tentação de só mais um e só pensar nas consequências depois: mas onde vou arrumar isto, mas quando vou ler isto - logo agora que eu tinha pensado aderir a esta moda de fazer sexo todos os dias e contar aqui todos os detalhes...Não tenho tempo, tenho muito que ler como se vê. Mas não temam que vou elevar a categoria deste blog fazendo comentários maldosos sobre as famosas que vão a galas, perdão fazendo comentários sérios aos outfits...Há pessoal para quem é difícil distinguir uma coisa da outra. Então, em espera tenho alguns clássicos daqueles de bolso, algumas coisas estranhas - o desenvolvimento do socialismo em Cuba. Não gozem...É um livro dos anos sessenta - três ou quatro históricos, livros da Jane Austen a saber três, do Jorge Amado também três, um Dostoiévski e um Murakami. Ou seja coisas muito boas, mas que não apetece ler agora mas quando lhes pegar vou pensar porque é que não o fiz antes e os deixei a apanhar pó tanto tempo. Ridículo, mas está me sempre a acontecer. Não que não esteja a ler boas coisas agora:

 

image(5).jpg

 

(tão, mas tão bom *-*)

 

Filme: The Age of Adaline

 

Nunca se deve perguntar a idade a uma senhora. Esta regra de etiqueta que vem desde os tempos imemoriais aplica-se que nem uma luva á personagem deste filme: Adaline Bowman não parecia destinada a ser mais que uma mulher comum no esplendor do início do século com as suas tragédias e glórias pessoais que o tempo se encarregaria de desvanecer até que um dia em 1937 sofre um grave acidente - depois disso descobre que deixou de envelhecer e que ficará eternamente presa nos vinte e nove anos. Mas o que parece ser uma bênção, juventude eterna, cedo se transforma numa maldição que acaba por a levar a uma existência solitária e sem laços durante décadas...Mas todos precisam de amor e quando um jovem carismático entra na sua vida e lhe desperta novamente o coração, Adeline percebe que terá de tomar algumas decisões difíceis.

 

O tempo é um daqueles assuntos que sempre fascinam os seres humanos talvez pelo seu carácter complexo e inexorável, por isso quando vi o trailer achei que era capaz de ser interessante além de ter uma personagem feminina como principal. E é uma boa ideia de base de facto...O problema é não passar disso mesmo: um verdadeiro festival de oportunidades perdidas. Até que não começa mal: Adaline passa de repente a ser um espécime muito especial e ganha consciência do perigo que isso representa deixando o espectador curioso pelo que vai suceder a seguir - há tensão, drama e também uma ligação ao passado histórico que fez o meu  coração dar um pulinho de contente, pois claro: as máquinas de escrever, aqueles carros ridículos...Gente, aqueles vestidos. Por exemplo, há uma cena inicial em que ela põem a correr fitas que mostram a construção da Golden Gate nos anos trinta...Achei tocante. Por ironia Adaline deixa de ter futuro para passar a ter só passado. Ela vive entre memórias de coisas que não voltam - modas, assassinatos, invenções, presidentes - como se fosse uma espécie de guardiã do tempo involuntária. É um grande peso, mas tem qualquer coisa de fascinante. Pelo meio também há boas referências literárias. Só que depois as coisas começam a descambar...

 

 

Como disse lá em cima a premissa é interessante e passível de ser apresentada sob vários ângulos: científico claro, mas sobretudo moral - O que acontecia se de facto ninguém envelhecesse? Os humanos adoram sonhar com coisas destas: viver para sempre, ter asas...Claro que tudo tem um lado negro. Imaginem sermos nós a controlar o tempo e não ele a nós. Não sei se conseguiríamos viver com tal anormalidade...Porque no fundo não fomos programados assim não é? E não é o nunca envelhecer o desejo eterno de todas as mulheres - como é que uma mulher lidaria efectivamente com a não mudança? Nada, no entanto, é realmente aprofundado nem o espectador é alguma vez questionado. Ou seja, o que podia ser uma boa estória descamba num drama á lá Nicholas Sparks que gira em torno dos mesmo clichés de sempre: eu gosto de uma pessoa, mas tenho um segredo e agora. Por exemplo há uma cena que Adeline diz que não adianta ter uma relação com alguém se ela não pode envelhecer ao lado dessa pessoa - achei interessante, mas não achei mais nada mais porque a cena é logo cortada...Especialmente na segunda parte deixa de haver a conexão com a História que se viu antes: ela não envelhece, mas o problema podia ser outro que não fazia diferença. Torna-se desnecessariamente aborrecido e previsível.

 

Depois há partes que são explicadas a correr não sei porquê e tudo culmina num fim igualmente preguiçoso onde nada parece bater com nada. A Blake Lively é linda, isso é algo que não pode ser negado - ela deve ficar deslumbrante até com um saco de serapilheira metido. Não achei que ela estivesse mal de resto, mas a verdade é que no geral não há ali ninguém que segure realmente na narrativa (não sei como é que o Harrison Ford veio cair nesta estória, mas registo isso como um ponto positivo)...Tudo muito meh. Em termos estéticos é bastante apelativo com vistas de São Francisco e o guarda roupa é maravilhoso sem falar naqueles penteados. Também registo como ponto de positivo esta atenção aos detalhes...De facto é um filme muito bonito com toques de classe adoráveis e uma ou outra parte bem conseguida especialmente no início, mas é pena que não vá além de uma estoriazinha pois tinha potencial para mais.

 

History Lover Problems - III

 

Em miúda sempre que pensava num jornalista imaginava um senhor num apartamento minúsculo sentado a uma secretária com uma máquina de escrever, um cinzeiro de um lado e um copo de whisky do outro, papel amassado por todo o lado no chão - quem disse que para escrever só era preciso ter inspiração estava enganado - é de noite ou está a ser e como a divisão tem pouca luz tudo fica meio sombrio. Mais tarde acrescentei a fotografia de uma mulher estrategicamente guardada numa das gavetas da secretária e depois música: uma melodia vinda de um aparelho qualquer na obscuridade e que fica a pairar na atmosfera sufocante. Demasiado triste talvez...Não me perguntem porque é que pensava em jornalistas como senhores saídos do Mad Men. Acho que é por isto que não se deve ler ou ver TV em demasia - fica-se com a cabeça cheia de disparates. Ainda por cima nos exames nunca perguntavam o que eu achava que as pessoas pensavam ou diziam naquela altura, só coisas teóricas, tipo explique o plano económico de x...Seca.

 

Entretanto para compensar esta imagem masculina inventei uma investigadora - à secretária com os pés displicentemente para cima, num gabinete arrumado no ultimo andar de um prédio (lá em baixo está o carro preto que ela conduz com demasiada velocidade e que tem um peluche pendurado - prenda de um ex), a arma estrategicamente guardada numa gaveta, a soltar uma baforada de fumo enquanto olha com ironia para o cliente à sua frente que claro estava à espera de encontrar um homem...Ela publicita os seus serviços com um nome ambíguo de propósito. Gosta de fazer tartes de mirtilo nos tempos livres e tem uns pais amorosos que acham que ela é dactilógrafa numa grande empresa e que vai casar com um tipo chamado Rudolf que eles nunca viram mas da qual já ouviram falar muito bem. Na verdade ela é amiga do senhor do jornal que escreve à noite  - não era mas achei agora que era giro se fosse. Ela está a tentar arranjar coragem para se declarar à irmã dele que é a verdadeira dactilógrafa.

 

Mais coisas do mundo...

(foto de Denise Zabalaga)

 

Há dias lembrei-me daquele anúncio das meias em que aparecia uma mulher nas várias fases da vida - acho que era da Calzedonia - e que acabava com ela grávida e a dizer esperemos que seja uma menina. Era tão bonito...Nunca me cansava de ver. Há dias também encontrei esta notícia: Todos os dias são mortas 2000 mulheres na Índia - refere-se ao assassinato de bebés do sexo feminino. Esperemos que não seja uma menina. Num mundo perfeito todos teriam o direito a ir á escola [a autora da foto acima tem outra em que se vê uma menina desolada com a cabeça caída na carteira  - o seu último dia na escola antes de casar e deixar de ter permissão para estudar - não fui capaz de a postar aqui...], escolher um parceiro, tomar decisões sobre si, a ter cuidados de saúde e a ser respeitado  - mas como se as meninas são logo eliminadas? Valem menos que gado...Sem direitos, sem protecção e sem voz. Ao menos é gado é cuidado e se alguém matar o animal de outro é punido, mas se alguém violar uma rapariga ela é que é a culpada - se há pensamentos universais este deve ser um deles. Por coincidência estou a ler um livro sobre esta temática - The Child Bride de Cathy Glass, uma autora que também já foi publicada cá. Ela é mãe de acolhimento e um dia aterra-lhe em casa uma jovem de origem asiática (do Bangladesh) chamada Zeena. Aos 14 anos Zeena evidencia todos os sinais de ter sido severamente abusada, mas as coisas (como aliás se intui pelo título) são mesmo muito más - uma matrioska de horror. Ela é tão doce e vulnerável...Uma parte do tempo passo a ler e a outra a tentar não chorar. Uma das coisas que ela conta tem que ver com chaves: no mundo dela as raparigas não podem ter as chaves do próprio quarto. Os rapazes sim, mas elas só depois de casarem e se o marido permitir. Puxa, eu amo ter a minha porta fechada, e as cortinas, e que batam antes de entrar...Parece tão natural. Pequenas coisas mas que ao serem negadas é também um pouco de dignidade que se tira...Quanto é preciso tirar até transformar alguém apenas numa sombra? A maioria não irá passar por coisas destas ainda assim elas saltam para a ribalta de vez em quando - meninas de doze anos, espremer seios - só para nos recordar que os nossos paraísos privados estão cheios de serpentes. Quão triste é uma pessoa ter de lutar para ser considerada um ser humano só porque não nasceu com a cor ou com o género "certo".

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