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Desabafos Agridoces

"Not all girls are made of sugar and spice...Some are made of sarcasm and nothing is fine"

Desabafos Agridoces

"Not all girls are made of sugar and spice...Some are made of sarcasm and nothing is fine"

A pior bibliófila...

Um dos mandamentos que os bibliófilos em geral seguem é o de não aproximar das páginas de um livro nenhum material de escrita...Eu no entanto sou uma pecadora impenitente: não começo uma nova leitura sem ter um lápis (ou até uma caneta) à mão. A verdade é que não acho que os meus livros devam ser tipo peças de museu, impecáveis como se tivessem sido acabadinhos de comprar...Gosto de os tornar meus por assim dizer. Quando marco uma determinada passagem o livro deixa de ser igual aos outros: incorporei nele a minha experiência fazendo uma escolha selectiva - que mais tarde pode deixar de fazer sentido. Além disso sou uma despistada: qualquer coisa escrita à parte vai acabar por desaparecer. Acho que já contei aqui a vez em que coloquei um livro no chão, esqueci-me e acabei por tropeçar nele...A sério. Claro que não os estrago de propósito, nem pensar. Também não sigo à risca esse mandamento de ler um livro por vez - sou como o chinês das 17 namoradas - embora agora só esteja a ler um. Talvez não seja muito boa ideia sublinhar se depois for preciso vender, mas quem quer os meus livros de qualquer modo...Mais razões para não prescindir do lápis:

 

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Economia: para quê ir em busca de um papel quando se tem estas margens tão apetecíveis...

 

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Registar factos extra como a bela estória das flores edelweiss: Elas crescem nas encostas dos Alpes e segundo as lendas austríacas (eles têm esta flor como símbolo nacional)  é uma prova de amor verdadeiro quando um rapaz sobe aos Alpes para ir buscar uma flor destas para oferecer à sua amada pois o caminho é muito perigoso...Só quem ama a sério se arrisca a isso. Há pequenos detalhes que podem mudar a nossa perspectiva de uma determinada leitura.

 

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E registar belas passagens...

 

[Também é por isto que os livros digitais não podem substituir os livros em papel]

Todas as formas da beleza

Gosto de campanhas com modelos grandes...Em mil com modelos magrinhas é bom uma pessoa sentir-se identificada. Mas há coisas que dão que pensar: outro dia estava a ver uma coisa dessas na TV e puxa aquelas mulheres eram perfeitas: pele sem defeitos, curvas no sítio...Acredito que por comparação ao padrão tradicional elas sejam consideradas gordas, mas eu não via nada disso. A representação dos diversos tipos de corpo nos média é ridiculamente baixa e mesmo quando o assunto são modelos plus-size nem todas as mulheres são assim: umas têm mais barriga, outras menos peito, gordura em sítios diferentes, marcas diversas...Por exemplo, Candice Huffine é uma mulher linda - a primeira modelo plus-size a entrar no famoso calendário Pirelli - mas nem todas somos assim e isso não tem mal nenhum...Não é como se houvesse certo ou errado. Diversidade é a palavra cheve! Acho que há muita hipocrisia quando se fala disto: as pessoas adoram falar de aceitação corporal mas se aparece na TV uma mulher com estrias acham nojento...Toda a gente conhece o all about that bass, já escrevi sobre esta música aqui, mas na mesma altura em que escrevi sobre ela encontrei referência a uma outra artista chamada Mary Lambert: as músicas são óptimas, cheias de sentimento, sem falar na voz, porque não é igualmente conhecida? A sério...isto vem também a propósito de uma estória que encontrei há dias: Jes Baker autora de um site que tem um dos melhores subtítulos de sempre - lose de bullshit. Love your body - ficou desiludida quando viu a campanha de uma certa marca de roupas plus-size. O objectivo era estimular todas mulheres a gostarem de si mesmas só que todas as da campanha tinham o mesmo tipo de corpo...Como é que se pode tentar elevar a auto-estima das mulheres, gordas ou magras, continuando a impor um modelo como certo? Vai daí ela decidiu fazer a sua própria campanha:

 

 

 

 

 [Mais aqui]

Temas que nunca morrem...

Isto de espectáculos que envolvem espetar ferros em animais é um tema que nunca morre...Quando uma pessoa acorda a pensar no bom que é viver no novo milénio lembra-se disto e fica um pouco menos contente. Eu estava precisamente a ler sobre o assunto lá na Cave do Markl a propósito da nova campanha da ANIMAL que podem ver aqui - é inacreditável que os organismos do Estado continuem a canalizar subsídios para isto, muitos milhares de euros. A que propósito é que uma pessoa tem de andar a sustentar tal coisa? Como diz o Senhor Nuno e muito bem: "O que separa as touradas do resto é a sua natureza violenta e fracturante: um evento que vai contra os princípios mais elementares de tanta gente, por envolver uma série continuada de agressões a um ser vivo, não pode ser pago com o dinheiro dos contribuintes". Isto não é cultura nem deve ser tratado como tal: cultura é o teatro, o cinema e todas essas coisas que enriquecem de uma maneira ou outra, são os monumentos que estão a cair de podres porque não há dinheiro para os arranjar aparentemente. E tradição: bem, era tradição mandar baldes com porcaria pelas janelas dos edifícios em Lisboa...Ainda não havia esgotos. É saudável que vá havendo uma evolução com o tempo, ou seja, sustentar uma tese neste argumento é nonsense, além de que acaba por justifica tanta coisa. É que consigo assim de repente lembrar-me de umas quantas tradições que não deviam voltar...

 

E também não há qualquer restrição á entrada de crianças ou ao seu envolvimento. Nem tinha pensado nisto: como é que objectivamente se explica a uma criança pequena o que é que se está ali a passar? Ou como é que objectivamente se explica a diferença entre se poder magoar aquele animal e não poder magoar o labrador que vive lá em casa? Não, o meu filho não vê esse tipo de filmes pois são muito violentos. Porque não subsidiar lutas de cães também? Não que eu já tenha assistido a alguma mas aquilo é tipo uma arena com dois cães á luta e um monte de gente em volta...E envolve muito dinheiro. Ao menos ali os dois seres vivos envolvidos estão em pé de igualdade. Ah, a beleza do domínio do homem sobre a besta. Depois há a estória que sem touradas vai o touro á vida que nunca consegui perceber muito bem...Mas não existiram sempre touros neste planeta? E que argumento é este: usar um espectáculo como as touradas como método de preservação de uma espécie. Puxa, se na China nos ouvem vão construir uma arena e mandar para lá os pandas - afinal estão em extinção. E o zoo de Lisboa podia fazer isso com os tigres...Devia ser uma animação. Isso não é o mesmo que dizer que os tigres vão desaparecer se deixar de haver caça ? E obviamente: qual é a moralidade de manter uma espécie para isto? 

 

E não, não acho que comer carne tenha alguma coisa que ver...A menos que nos matadouros os animais sejam espetados e tal antes de serem mortos e nesse caso digam-me que matadouros são esses. Há sempre alguém que vem com esta...Por acaso acho que a carne de touro se come, mas nunca provei. Vai na volta há uma razão biológica para gostarmos tanto de sangue e de o ver derramado...Não gozem, que há uns tempos li um livro bem interessante que dizia que há uma razão biológica para, por exemplo, não conseguirmos evitar comer logo uma coisa que gostamos muito - geralmente uma coisa gordurosa. Os antigos povos faziam sacrifícios humanos, os romanos tinham lá o coliseu, nós espetamos animais se calhar porque já não fica bem usar pessoas, outras também crentes esfolam os joelhos - somos criaturas estranhas. Ou então é a boa e velha questão da dominância: aquela tendência de os humanos se acharem superiores aos demais seres só porque falam e vivem em cidades. E embora já esteja mais que provado que os animais têm sentimentos complexos - já foram vistos elefantes a realizarem rituais de luto. Será que posso enfiar o meu periquito no microondas com a desculpa que ele não tem capacidade de sofrer? Não me parece, então talvez devêssemos arranjar outras formas de nos entretermos...

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