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Desabafos Agridoces

"Not all girls are made of sugar and spice...Some are made of sarcasm and nothing is fine"

Desabafos Agridoces

"Not all girls are made of sugar and spice...Some are made of sarcasm and nothing is fine"

Coisas do Mundo...

Sou a única a achar estranho o modo como as notícias sobre o que se passa na América são transmitidas? Indivíduo negro que era drogado, traficava armas (o que são armas ilegais lá...Canhões?), faltava às aulas de matemática, quando tinha seis anos roubou uma bolacha do frasco...Ah, sim esperem levou oito tiros de um polícia pelas costas podemos então avançar para o próximo bloco informativo. O que se tira de uma notícia dita assim: que óptimo que a polícia está a tornar a sociedade um lugar melhor! Mas isto é o quê? O Dexter? Não nos estamos a desviar do foco principal? O problema é o seguinte: se o sistema judicial não é necessário então cada um pode resolver as coisas como quer? Para que é que vou processar o meu vizinho se posso livrar-me dele logo ali [ou chamar alguém para o fazer?]. Seria o caos, aliás são as instituições - o facto de ser providenciado as coisas básicas  - que nos impede de virar feras. É [muito] perigoso legitimar a violência, neste caso exercida com parcialidade, e apresentá-la como se fosse uma coisa normal e útil. E também: pode-se confiar num profissional que se engana e saca de uma arma em vez de um taser? Ou que mente? Sabe-se lá o que mais acha legítimo um oficial que pisa o pescoço de um tipo gratuitamente? Também gostava de saber porque há tanta cobertura de manifestações violentas e lojas partidas e tão pouca das manifestações pacíficas e dos voluntários que limpam as ruas. Com as manifestações na Turquia foi o mesmo problema: alguém viu polícias a tirar gás pimenta sobre pessoas que estavam sentadas, acertando directamente nos olhos? Mas aconteceu. Como encontrei há pouco num site: parem de clamar por paz quando o que querem na verdade é silêncio. A igualdade deve ser a coisa que menos há seja  para que direcção apontem - há seres humanos que nem têm o direito a crescer, são subtraídos a este mundo logo que nascem só por terem um pipi. Desconfio da violência quotidiana e do apregoamento  de ideias limpas e racionais, especialmente das duas coisas juntas - temos de enviar todos esses imigrantes de volta. Sempre que oiço isto penso sempre manda-los de volta para onde, mas ainda não ouvi uma resposta. Eles vêm para cá porque não têm casa...duh. O que se passa com este mundo?

Sobre elogios e sexismo

Gosto de ti porque não és como as outras raparigas - Quem nunca ouviu esta frase? Estava a pensar nela outro dia e acho que é uma coisa muita estranha de se dizer...Qual é o mal das outras raparigas? Quer dizer que não sou uma puta? Este termo refere-se a raparigas de má personalidade ou a raparigas que simplesmente exercem o seu direito de dizer sim quando lhes apetece? Em que é que estas últimas são melhores ou piores que alguém? Como é que um tipo sabe como se comportam todas as outras...Ou é uma generalização? Porque haveria eu de gostar de ser comparada com alguém em primeiro lugar? Dispenso que depreciem um género inteiro só para me elogiar...Nem de propósito há dias li um artigo que falava das formas subtis de machismo: aqueles senhores muito simpáticos mas que depois dizem coisas como: querida vais te candidatar a Harvard? Nunca vais conseguir...Eu gosto de ti e não quero que tenhas uma desilusão mais tarde.

 

Ou então: se emagrecesses saía contigo; és gira, mas sabes gosto de mulheres com menos maquilhagem; és gira, mas é pena só teres dezanove anos [aka: quero que me convenças que vales o suficiente para mim]; vá lá não tem mal nenhum, não gostas de mim? [Anastácia, querida estás a pensar demasiado...Lembram-se?], a culpa é tua, já sabes que eu sou um tipo ciumento; eu nunca disse isso estás a fazer confusão [um cavalheiro tentou isto numa entrevista com a Taylor Swift: ele disse que era um bom tipo e a Taylor responde-lhe que esses costumam ser os piores - os piores são aqueles que adoram dizer a meio mundo o quanto são bons precisamente - então o tipo volta-se para toda a gente: mas eu alguma vez disse que era um bom tipo? Não pois não? Ela confronta-o com o facto de ele ter dito isso á vinte segundos. Ele nega]; não percebes nada, deixa falar quem sabe; não sabes aceitar um elogio? Às vezes tentam parecer inteligentes:

 

(tirei daqui)

 

Acho que muitas mulheres já não terão escrúpulos em mandar ir pastar quem merece, mas uma adolescente: 15 anos e vontade de ser amada como é normal a dar de caras com um manipulador deste calibre. E tendo em conta os livros que circulam supostamente para a idade delas...No Sábado tentei ler um: uma cheerleader deprimida e um tipo que só se mete em confusões...Pareceu-me intressante, mas ao fim de 20 páginas desisti. O tipo era insuportável. Se ela dizia: é melhor não nos encontrar-mos hoje, ele respondia: mas vê só temos uma vida pela frente, amanhã podemos não estar aqui queres ficar em casa sem ver a magia do mundo...Dois parágrafos inteiros desta treta e não só. Kill it with fire! E assim são quase todos os protagonistas YA...Olha para ti Hazel: não tens interesses, vives fechada no quarto [há na verdade meninas que são felizes sozinhas nos seus quartos] e estás a morrer achas que vais encontrar melhor? Não sejas ingrata. Outra manipulação: levar alguém a crer que precisa de um salvador ou fazer a pessoa sentir-se um lixo só para depois a mimar e passar por bom da fita - Não vês que sou o teu príncipe encantado? Quanto mais uma pessoa for rebaixada [ah Anastácia, como podes ser tão estúpida...Também se lembram?] mais fácil é de manipular. Como diz a nossa rainha Taylor - uma boa pessoa não tem de andar a dizer isso a toda a hora, por isso se um tipo vos atira com esta é porque muito provavelmente é um otário.

 

Li há pouco um texto engraçado num dos blogs que sigo, mas que me fez lembrar este ponto: há coisas que se lêem por aí que parecem muito românticas, mas se calhar...De facto, as Anastácias desta vida são a presa preferida dos manipuladores e predadores sexuais: carentes e frágeis. Existe uma razão para um pai não deixar as filhas estudarem no interior da índia e também há uma razão para um tipo na América ficar furioso quando diz que uma moça é bonita e ela lhe agradece e diz que já sabia - dominância. Se uma moça diz que sabe que é gira corta logo pela raiz a hipótese de o indivíduo bancar o papel de bom rapaz que alguns adoram. Todos gostam de elogios, mas não me parece que alguém goste de ser tratado como um ser de segunda...Algumas senhoras também são manipuladoras é evidente, a diferença é que ninguém diz a um tipo que tem que aguentar a maluca mas uma rapariga é programada para aceitar isso sem se queixar...Desigualdade encapotada.

Livros e mais um tesouro do Lifestyle

Ontem andei a ler os posts destacados a propósito do dia mundial do livro - não estava inspirada para escrever nada - e vi este texto num blog que sigo, sobre pessoas picuinhas que acham mal que se ande a falar sobre livros a toda a hora e em qualquer lugar qual sacrilégio. Há coisas que de facto é melhor não partilhar, mas as leituras não são uma delas - eu amo falar sobre livros! Quando acabo de ler um da qual gostei muito apetece-me dizer isso toda a gente: o quanto ele é bom e o quanto merece ser lido. Sempre fico um pouco invejosa das pessoas que têm uma rede de amigos leitores alargada porque é óptimo trocar opiniões, aliás é assim que estes objectos sobrevivem: sendo lidos, passados de pessoas para pessoas, muitas vezes desafiando proibições...Que importa se virou moda ler livros em público? Era pior se tivesse virado moda esfaquear gente no metro não? Talvez eu seja snob em relação a algumas coisas tipo gosto de livros difíceis, aqueles que dão luta, e gosto de clássicos mas às vezes há cada reacção que parece que a imprensa não devia ter sido inventada.

 

Por exemplo, acabei há dias o Bell Jar da Sylvia Plath, um livro maravilhoso e intenso sobre uma mulher que sofre de depressão, e antes deste li As Virgens Suicidas de Jeffrey Eugenides mais conhecido pela adaptação de Sofia Coppola mas que é também uma obra maravilhosa - o Verão em que as cinco irmãs Lisbon decidiram morrer - sobre crescer e perder a inocência ("What are you doing here, honey? You're not even old enough to know how bad life gets. Obviously, Doctor," she said, "you've never been a thirteen-year-old girl). E ambos fornecem insides fascinantes da mente feminina e das dificuldades num mundo feito para homens. Recomendo! Já agora também não percebo aquele pessoal que se melindra quando alguém insere expressões em inglês num texto ou diz que gosta de ler em inglês: isso não tem nada que ver com escrever mal ou não gostar da língua portuguesa...Os textos do Eça têm imensas expressões em francês lá no meio, será que ele também não sabia escrever? Eu leio em inglês ás vezes - estou a ler agora por acaso - e não acho que isso me torne mesmo leitora ou os meus argumentos mais fracos. E há por aí traduções bem ranhosas...

 

Entretanto enquanto escrevia isto encontrei mais um tesourinho da zona, como não amar, de lifestyle aqui do Sapo: diz que as meninas por conviverem com rapazes podem aprender a ser ambiciosas, a correr, a gostar de ciência e a desenvolver o raciocínio. Pois claro, porque isto não são qualidades que uma menina possa ter, são exclusivamente masculinas...Elas só querem ficar em casa com a prole e se tiverem sorte pode ser que encontrem um homem que as empurre para uma carreira de sucesso - porque é só para isso que eles cá estão. Os meninos podem aprender com as meninas a ser bons pais, a ter caprichos e a ser meigos...Cá está, é para isto que cada um nasce: uns gostam de ciência outros de parir filhos e de se maquilhar, não há cá misturas...Uma menina a ler Carl Sagan ou a mostrar a um rapaz como é que se dá uns toques numa bola?! Meninas inteligentes?! Por acaso se hoje é possível publicar barbaridades como estas nas interwebs é graças a muitas mulheres...Devem-se ter fartado de conviver com homens, galdérias. Não será antes: todos os seres humanos têm coisas a ensinar uns aos outros independentemente do género? Ai vida...E vocês andam a ler coisas interessantes? Partilhem.

Sobre Feminismo e Ensino

Há uns tempos estava a ler um texto num blog - era um belo texto sobre os diversos papéis que as mulheres têm que gerir e já me preparava para favoritar quando a autora se sai com esta: não pensem que isto é um texto feminista. Eu acho que os homens também têm o seu papel. Fiquei tipo: are you kidding me?! Acho que se devia falar de feminismo nas escolas...Isso mesmo: falar-se de igualdade. É triste ver os valores humanos e cívicos tão longe dos alunos...Antes havia uma disciplina que era a formação cívica mas acabaram com ela, também pudera uma hora miserável por semana. Também creio que acabaram com a única cadeira em que alunos podiam desenvolver projectos - tive sorte de num ano ter desenvolvido um óptimo projecto para essa disciplina, mas foi a excepção. Quando bem aplicadas eram cadeiras importantes...De facto, o nosso ensino é muito retrógrado (já escrevi sobre isto em tempos, mas não me parece que as coisas tenham mudado desde então) e está baseado em pressupostos que já não são aceitáveis neste século. O aluno entra, decora umas coisas que depois espeta num teste e no ano seguinte é a mesma coisa: "Do liceu que é um lugar com bancos, onde em rapaz se decoram bocados de livros - para ter o direito de não se tornar a ler um livro inteiro depois de homem". Ah, como eu amo o Eça.

 

Se for um aluno excelente, também os há ao contrário do que se costuma dizer, ou um aluno péssimo há uma hipótese de serem notados mas a grande massa de alunos está no intermédio: não são excelentes, mas também não chumbam, não fazem asneiras tirando um tpc ou outro que fica por fazer - dificuldades que tenham, se têm problemas em casa, se têm um talento que ainda não foi explorado...Azar. Eles passarão em branco neste este sistema de ensino kafkiano. Nem há sequer qualquer incentivo a que o aluno coloque perguntas, pense paralelamente, coloque em causa o que o professor disse: mas os doutores também se enganam? Blasfémia...Acho que um dos motivos porque o ensino não avança é por ainda existirem estrados - inútil símbolo de autoridade e coerção - fora com isso! E com o mobiliário de 1930 que ainda existe em algumas escolas também. Já mostrei aqui aquela mítica escola em Macedo de Cavaleiros que tem uma porta para meninos e outra para meninas? Não sei se é usada...Não sei como é que podem ter pensado acabar com os chumbos, quer dizer, a ideia é excelente mas nunca aplicada neste sistema. Quando se falou disto andei a ler alguns textos por aí e de facto não é só a mobília que parece saída de 1930...É triste ver como algumas matérias ainda são ensinadas. Há formas de tornar as coisas divertidas e também há outras formas de aprender sem ter que estar duas horas sentado numa cadeira a ouvir debitar. 

 

Ou a decorar coisas. Li já não sei onde alguém a dizer que se está perder o hábito de decorar - e eu tipo: mas é preciso mais ainda?! Mas tal como acontece com os chumbos é utópico pensar em métodos alternativos...Ensinar igualdade, civismo, como viver numa sociedade multicultural, discutir coisas do mundo real - não devia ser tão importante como aprender o teorema de Pitágoras e os componentes das plantas?  Pessoalmente, acho inquietante que não haja nada direccionado para ajudar e esclarecer as meninas...E são tantas as mentiras que elas têm que engolir - as mulheres não servem para líderes, foste violada porque estavas bêbeda, tens de ser magra para ser feliz...hei-de coligir estas mentiras todas num post, vai ficar giro (e enorme). Além disso a igualdade beneficia todos, sim todos - homens e mulheres. E se houvesse um espaço para falar destes assuntos? Os gabinetes de psicologia mitológicos que parecem existir em algumas escolas não contam...É acreditável que haja pessoas a desmaiar quando se fala em educação sexual, imaginem a menina chegar a casa a dizer que é feminista. Se um dia esta geração cometer crimes contra a humanidade, sabe-se lá o dia de amanhã, não vai servir de argumento dizer que eles sabem de cor os nomes de todos os rios e sólidos geométricos...

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