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Desabafos Agridoces

"Not all girls are made of sugar and spice...Some are made of sarcasm and nothing is fine"

Desabafos Agridoces

"Not all girls are made of sugar and spice...Some are made of sarcasm and nothing is fine"

A propósito de revistas femininas...

O meu sentimento para com estas revistas em geral é de perplexidade. Costumava ler por empréstimo há uns anos para me distrair e ver se aprendia alguma coisa sobre assuntos. Agora só leio coisas dessas quando encontro na net por acaso e fico mais perplexa do que nunca: um artigo diz: " a dieta que a vai fazer perder peso e reacender a sua relação" e um outro: "não fique demasiado obcecada com dietas, os homens não gostam". Esta última parte também é interessante mas vamos nos focar na contradição: faço ou não faço dieta? Tenho de fazer dieta ás escondidas? Uma vez vi a capa de duas revistas em que uma dizia: "dicas para perder peso rapidamente" e a outra, adivinhem: "Os perigos de perder peso rapidamente"!! E é provável que lá no meio houvesse um artigo a dizer "seja feliz com que o corpo que tem". Ontem li um que dizia: se o seu parceiro não a ouve, reexamine a sua capacidade de síntese. Excuse me? Para que quero uma pessoa que se desinteressa do que digo ao fim de duas frases? Para isso arranjo um cão. Ou então amigas, porque todos os conselhos terminavam com: é melhor guardar esse assunto para quando estiver com as suas amigas. Talvez isto seja apenas uma questão de interpretação - Também não há muito tempo encontrei uma cena aqui na página do Sapinho com dicas para primeiros encontros e dizia para não falar nunca de relações passadas - Excuse me? Essa pergunta é essencial. Se o tipo diz que a sua namorada anterior era louca então não preciso de perder mais tempo ali. Imaginem o que seria quando ele me conhecesse melhor. Será que eu podia abrir uma secção de conselhos amorosos? Conselhos da dork, ligue já! Anyway, não se pode negar que há um certo paradoxo em dizer que nos devemos aceitar a nós próprias e a seguir falar de complicados regimes. Demasiado gorda ou demasiada magra? Conselhos para poupar seguido de apelos ao consumismo, "satisfaça todos os desejos do seu parceiro" e a seguir - "seja moderna, tome a iniciativa!" Conclusão:

 

Pêlos e outros tabus

A sociedade, apesar de toda a modernidade, continua cheia de tabus. Creio que já falei a respeito disto aqui: a mentalidade não acompanha a evolução da tecnologia, é algo muito mais lento. Ora, não há melhor sítio para analisar tabus que o corpo feminino - São tantos que que nem sei por onde começar. Somos um autêntico tabu ambulante. Começar talvez pela cabeça? Uma mente desprovida de lógica, inconsistente, incapaz de decidir e cuja a existência de capacidade intelectual é tão rara como um macaco de duas cabeças - estou a citar um estudo de uma eminência científica do século XIX, não é invenção. Há pouco menos de sessenta anos ainda havia faculdades em países tidos como mais civilizados que proibiam as senhoras de leccionar matemática, pois considerava-se que a sua mente era demasiado infantil para entender semelhante matéria. Deste cantinho onde a gente vive é melhor nem falar...Hoje em dia a nossa psique parece estar mais para a física quântica de tão complexa. Vamos mudar de zona: em alguns sítios, e não é nas Arábias, vocês podem ser expulsas de um centro comercial se tirarem uma das mamas para alimentar o fosso rebento e alguém se sentir incomodado, digamos talvez aquele senhor que está á vossa frente a admirar a Rosie Huntington na página central do The Sun. Mostrar ou não mostrar? Puta ou recatada? Miss Madyson não vê que esta a distrair os seus colegas com essas curvas que devia ter vergonha de não tapar? Céus...Parece-me no entanto que o maior tabu está mesmo entre as nossas coxas.

 

Tudo o que envolva mexer, decidir ou mesmo falar sobre. Sempre fico sempre espantada com a quantidade de estudos que se fazem para saber o que eu enquanto fêmea quero - acho que alguns desses estudos são apenas uma tentativa de justificar a fraca prestação de alguns senhores (possivelmente dos próprios pesquisadores envolvidos) em determinados sítios. O pior deste tabu que envolve a intimidade feminina é quando por causa dele se nega o conhecimento - O que é que uma rapariga fica a pensar se vocês lhe dizem que não tem idade para saber determinados assuntos? Quando tiver vinte se calhar já é um bocado tarde. Ou se lhe dizem para não deixar a caixa de tampões á vista? A caixa...Ora, há uns tempos atrás vi na net uma coisa curiosa: uma moça publicou uma foto sua numa rede e houve alguém que disse que ela era feia. A questão é que o insulto foi dirigido a uma foto específica - uma em que ela tinha as pernas por depilar.

 

Isto levou-me a pensar: porque nos sentimos sempre tão enojados quando se fala do assunto? Não devia ser uma coisa natural? Afinal somos humanos. Ou seja, trata-se de uma construção social e nesse caso porque é mais aceitável num género do que noutro? Parece-me que é outra construção social: as mulheres não devem ter imperfeições. Coisas feias tipo pêlos, sinais ou cicatrizes. Isso atenta contra a essência feminina que se quer pura - O conceito de pureza é mais abrangente do que parece. Não afecta os cavalheiros porque eles dão o duro no mundo exterior tradicionalmente. Por isso é mais que justo que tenham uma mulherzinha perfeita á sua espera com um belo peru sobre a mesa. É aquela história: o mais valente ganha a princesa. Nada de palavrões também...Mas isso não devia ser uma falta de educação em qualquer pessoa? O tabu é tal que vocês não vêem mulheres com pêlos em série alguma (ou filme, novela...) nem mesmo nas apocalípticas, onde isso seria expectável e mesmo apesar dos personagens masculinos se irem degradando.

 

 

Toda a gente vê que as pernas da Rosita não podem estar assim naquele contexto. Atenção que não estou a dizer para vocês saírem peludas por aí fora, mas acho que se coloca a tónica no ponto errado - se calhar devíamos fazer as coisas a pensar em nós mesmos, tipo vou fazer isto porque gosto e não porque quero agradar ao tipo que está sentado á minha frente ou a outra pessoa qualquer. E se eu tiver coisas mais importantes para fazer do que estar uma hora com uma lâmina na mão? Perdemos demasiado tempo a dizer ás garotas que têm de agradar aos outros...E depois por consequência disso temos de perder tempo a tratar as depressões com que ficam quando não conseguem. Porque nunca estar á altura de nada é esgotante. Claro que a publicidade diz que vocês não podem viver sem se depilarem, mas o marketing até vos tentaria convencer a beber lixivia se fosse preciso. Acho que se uma rapariga tira uma foto das suas pernas por depilar é porque se sente bem consigo própria e isso devia ser elogiado. A televisão contribui, de facto, para este tabu bem como as revistas ditas para senhoras, muitas das quais são um lixo. A sério são mesmo. Depilar, não depilar, usar saltos, maquilhagem antes de sair - são escolhas. O resto devia ser secundário...Mas este mundo é demasiado difícil.

 

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Então é assim: estou um ano mais velha. Não é uma informação de grande impacto no mundo, mas como é da praxe assinalar aqui...Tinha pensado escrever um texto deprimente\filosófico como o ano passado, mas isso seria redundante pois continuo a não saber a maioria das coisas que escrevi ali. Sim, ainda não é este ano que posso dizer orgulhosamente que já consigo usar rímel sem me cegar ou que consigo abrir os pacotes de leite sem verter...Se bem que até tenho feito alguns progressos: há dias tentei fazer um patê de atum. Cada ano que passa estou mais longe das certezas que tinha antes, é incrível o nível de certeza e consequente ousadia que uma pessoa tem quando é nova, e também mais longe me de tornar um ser humano funcional - capaz de arranjar outro ser humano, produzir descendência, ser útil em alguma coisa e no fim fazer o cúmulo de todas as coisas boas feitas e todos os erros. Esta parte da descendência já não me preocupa tanto: acabei de ler um artigo sobre uma senhora da Nova Zelândia em que ela diz que o seu segredo para ter chegado aos 109 anos foi ter evitado os homens e comido montes de porridge. Bem...Quando estou a ver sei lá, episódios antigos das Navegantes da Lua no pc não consigo deixar de pensar que isso não é algo que uma pessoa adulta deva fazer. Devia estar a ver um canal de assuntos adultos...Não desses, mas dos sérios. Devia estar a fazer coisas sérias como uma pessoa em termos.

 

Não a escrever aqui enquanto brinco distraidamente com uma tesoura podendo cortar um dedo...O que acabou de acontecer há cerca de cinco minutos atrás. Estou menos para um ser humano funcional e mais para um erro na Matrix. Continuo a não saber muito bem como é que as pessoas se relacionam entre si (os blogs tipo diário pessoal são úteis para analisar algumas nuances destes relacionamentos...Não deixem de os escrever!) e continuo a ser céptica em relação ao mundo. Cada vez mais para dizer a verdade, especialmente quando penso na minha probabilidade de sobrevivência nele. Não acredito no amor como ele costuma ser apresentado...Gosto mais de pensar nele em forma de um cesto cheio de cachorrinhos (pugs!) por exemplo, nem acredito em promessas - vamos sempre quebra-las de qualquer maneira...Antes tinha ideias muito mais fixas e era bem mais ácida do que hoje: devia ter aberto um blog nessa altura e feito sucesso. Agora quando começo a escrever sem pensar previamente há sempre o risco de saírem coisas meio patéticas, como aliás este texto embora tenha dito no início que ia evitar isso. Basicamente: estou a ficar velha e qualquer dia já estou nos trinta..Ai.

 

Silêncio...

wook2014.jpg(tirei daqui)

 

Por todos os bons livros que não estão editados neste país; os que nunca serão; os que foram editados mas de forma tão discreta que passaram incógnitos pelas prateleiras e que agora estão a apodrecer num armazém; por aqueles que tirei do fundo das ditas prateleira e coloquei em cima para ficarem visíveis (fiz isto uma ou duas vezes); os que já foram destruídos; por aqueles que conseguiram chegar aos escaparates entre planícies de lixo uniformizado e os que nunca serão comentados em nenhum blog literário porque não são oferecidos pelas editoras. Incluo também aqueles que por algum capricho do acaso - desconhecimento, escolhas - nunca irei ler. Um minuto de silêncio. No fundo é a lógica de mercado que como em tudo paira acima de qualidades e gostos pessoais. Quando andei a pesquisar o resto do top enganei-me e coloquei livros mais vendidos em 2024...Será que ainda vamos ter obras do Gustavo Santos no top ou a humanidade já terá ido pelos ares?

 

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