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Desabafos Agridoces

"Not all girls are made of sugar and spice...Some are made of sarcasm and nothing is fine"

Desabafos Agridoces

"Not all girls are made of sugar and spice...Some are made of sarcasm and nothing is fine"

A próxima moda literária

 

Estive a dar uma volta pelos últimos posts que escrevi e fiquei a pensar em qual será a próxima moda literária. Não estou assim há muito tempo neste mundo, embora ás vezes me sinta velha, mas já deu para assistir á ascensão de certos livros com as respectivas consequências no mercado. Nunca liguei muito a isso, quer dizer ir comprar porque anda toda a gente a ler, mas é algo a que assisto com fascínio. Como prever o que vai pegar em determinada altura? A primeira a que assisti foi, claro, a do Harry Potter...Uma loucura como nunca tinha visto (a senhora parece que fez anos recentemente...Congrats!), muita gente na altura achou um disparate. Depois quando vieram os vampiros pensei que o que faltava eram histórias de amor entre humanos e zombies...Devia ter um escrito um livro assim, porque estava certa. No entanto, como é difícil construir uma história credível entre pessoas e criaturas a apodrecer a moda não durou muito. Basicamente fomos inundados por criaturas sobrenaturais e agora estamos soterrados em sexo. Creio que haverá uma altura em que o mercado ficará tão saturado que os leitores vão começar a suspirar por algo novo. Quer dizer, novo é como quem diz...

 

Poucas destas modas são realmente criativas: é a mesma história de sempre, vendida como se fosse algo muito moderno (imaginem no que o Sade deve estar a pensar lá na campa: olha estes noobs!), mas eventualmente o pessoal acabará por encontrar outra coisa pela qual entrar em histeria. Tive algumas ideias, baseadas no estado actual das coisas - um tipo que anda pelos becos de Paris, para ser romântico...wait, romântico não pode ser que isso já não se usa. O que deixa agora as senhoras húmidas são tipos que dizem que não gostam de romance e têm outros interesses...Parece-me paradoxal. Ok, então um tipo com charme anda por uns becos de aspecto perigoso a violar moças mas não faz mal porque toda a gente sabe que é isso que elas querem. Seria um argumento de sucesso. Ou: bando de ninfomaníacas semeia o caos...Talvez este não fosse muito bem sucedido. As pessoas iriam ficar moralmente indignadas...Haja respeito não é? Vá, eu prometo que vou deixar de bater no ceguinho, mas estão a perceber a ideia. Pode ser a que a tendência vire para outro tema...Quem sabe se o próximo sucesso não está já a ser escrito. Tem de haver alguém que é o primeiro a lançar a bomba. Mas, se por um lado estamos soterrados em livros de certos tipos há outros que mal se encontram. 

 

É impressão minha ou não se dá muita atenção a autores lusófonos? Há aqueles mais conhecidos: Mia Couto, Agualusa...Mas de resto pouco mais. Por exemplo, não há grande aposta em autores brasileiros contemporâneos. É pena, porque a nossa língua tem tantas nuances...E é tão bonita! Também não há muitos romances sobre a nossa história. Temos livros á farta sobre a História dos outros - dava para encher prateleiras e prateleiras só com livros editados sobre os Tudors - mas a nossa tende a cair no desprezo, embora seja tão ou mais rica. Não sei se isto acontece por desinteresse, ou porque os autores preferem investir noutros estilos mais rentáveis e menos trabalhosos ou talvez falte um acesso mais fácil e rápido aos materiais. E depois há quem use o  fundo histórico apenas porque sim sem qualquer investigação...E há títulos que foram editados uma vez no tempo Cretácico e depois nunca mais, como alguns clássicos. Eu tenho uns assim na minha lista de leituras que quero fazer no futuro - O Arquipélago de Gulag, Catch-22, Livros do Jorge Amado, Kurt Vonnegut...

 

Só em segunda mão, com alguma sorte. De facto, é uma competição feroz conseguir arranjar um lugar nos escaparates e raramente um título fica lá muito tempo. Depois do escaparate vão para as prateleiras mais modestas para onde as pessoas nem olham e então são lançados nas trevas. Há um tempo atrás li um artigo que falava da quantidade de livros que são destruídos neste país por dia. Morri um bocadinho por dentro ao ler aquilo, mas o mercado é mesmo assim. Os escaparates têm de estar sempre cheios de novidades de preferência de consumo rápido. Enfim...Se tiverem sugestões sobre a próxima grande moda literária digam, pode ser que fiquemos milionários...

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