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Desabafos Agridoces

"Not all girls are made of sugar and spice...Some are made of sarcasm and nothing is fine"

Desabafos Agridoces

"Not all girls are made of sugar and spice...Some are made of sarcasm and nothing is fine"

Sobre A Culpa é das Estrelas

 

Antes de mais há que dizer que este foi o primeiro livro que li em inglês. Estava um bocado reticente por causa disso, mas acabou por se revelar bastante acessível. Logo da primeira vez que lhe peguei consegui avançar umas cem páginas. Não é propriamente um Shakespeare mas a única coisa impressa em inglês que li antes foram os textos da faculdade, quando não deu para evitar. Quanto á história, não gostei muito. Parece que estou a ser do contra, mas realmente não percebo porque razão toda a gente acha que isto é a oitava maravilha do mundo (8000 pessoas deram cinco estrelas na Amazon, 4,50 estrelas no Goodreads onde também foi livro do ano...). É tão deprimente...Não que eu esperasse uma coisa muito alegre, enfim as personagens estão doentes e tal (sinopse aqui), mas é demais. E tão lame...e cheesy. Estão a ver o termo? Pegajoso.

 

De facto, a combinação de deprimência e lamechice faz com que ler este livro se assemelhe a cortar uma cebola daquelas fortes: vocês não querem lacrimejar, mas não conseguem evitar. E é exactamente isso que o autor quer: ele quer que vocês gastem todos os pacotes de lenços que tiverem em casa. Esta estratégia de puxar á lágrima tem quase sempre sucesso...Não admira que haja tantos autores que também a usam. As personagens são deveras irritantes, quer as principais, quer as secundárias...Não se aproveita ninguém francamente. Hazel é uma mosca morta, não particularmente interessante e Mr. Waters é um idiota...O tipo de idiota de quem as miúdas costumam gostar: cheio de mania, de falinhas mansas e com uns olhos bonitos. Só não brilha quando está ao sol, mas tendo em conta que a base de ambas as histórias até é semelhante, podia perfeitamente acontecer. O enredo é um tudo ou nada aborrecido; os diálogos, especialmente no início, são mauzinhos e algumas cenas não fazem simplesmente sentido (tipo Amesterdão: o encadeamento dos acontecimentos não tem lógica).

 

Há algumas questões que são interessantes e merecem reflexão mas não me parece fazer sentido colocar essas reflexões na boca de dois adolescentes no meio de um viagem de avião, por exemplo. Não é muito realístico. Pensando bem há bastantes coisas que não me parecem realistas nesta história. Talvez isto ficasse melhor se fosse um romance normal em vez de um young adult. Pelos menos as divagações filosóficas não ficariam tão deslocadas. Nem a obsessão por metáforas: não percebo se o autor gosta mesmo desta figura de estilo, ou se é uma tentativa de dar profundidade á história...Apesar de tudo, há uns capítulos no final que são melhores. Mais verdadeiros e menos lame (porque é possível escrever cenas ternurentas sem provocar diabetes nos leitores...). E algumas cenas têm a sua graça...No meio da tristeza, é positivo ter alguns momentos de humor. Mas, em conclusão não recomendo. Nem sequer dá para ler na esplanada no Verão...

Inspira-me: dia internacional

Pergunta o Sapinho: se pudéssemos dedicar um dia a qualquer coisa o que escolheríamos? Não tive de pensar muito: se pudesse criaria o dia internacional dos corações solitários. Não sei se já existe tal, mas devia. Em vez de mimarmos a cara metade, mimar-nos-íamos a nós próprios. Tiraríamos o dia de folga para fazer o que nos apetecesse: dar um banho de espuma decadentemente prolongado, dançar sem roupa alguma pela casa enquanto se manda aquelas pessoas chatas que só sabem perguntar quando é que nos casamos para o Inferno ou mandar mensagens para números aleatórios a dizer coisas como "sei que andas a trair a tua namorada" ou "estou grávida e é teu" e esperar para ver o que acontece. Ok, esta última talvez não, ainda se estragava o relacionamento a alguém...Um dia para apreciar as coisas boas de ser livre, como poder experimentar todos os pares de sapatos da loja sem ter ninguém a resmungar entre entes que vocês já estão ali á três horas (um bom sapato tem mais probabilidades de durar que um namorado...) ou puder jogar gta sem ter uma matraca ao vosso lado. Um dia positivo e egoísta! Claro que acabaríamos por ficar deprimidos e a pensar se vamos morrer sozinhos, mas também é assim com o são Valentim: um dia cheio de pinderiquices para a seguir encontrarem o vosso príncipe encantado ou princesa a  divertir-se a(o) vizinha(o) da frente. O amor é como o tempo, muda depressa. Já solidão é muito mais estável...

 

Embirrações literárias

 

 

Nas minhas navegações pela blogosfera literária é frequente encontrar textos em que as pessoas dizem ter determinadas embirrações: ou é com um certo autor (pela escrita, pela postura, pela aparência...) ou com certo género ou com um tipo de capas...Há para todos os gostos. Não vejo mal nisso, quer dizer eu estou-me pouco importando se vocês gostam ou não de ler clássicos...Contando que não me obriguem a ler nada. Inacreditavelmente há pessoas que se melindram com as opiniões que encontram sobre determinado livro e desatam a insultar. Sim, também há disto em blogs sobre livros. Em relação ás embirrações fiquei a pensar se tenho alguma e a verdade é que sim. Por exemplo, embirro com sagas. Sei que muita gente gosta e é fã, mas eu não tenho paciência para esperar que o autor se lembre de escrever a continuação, que a editora se lembre de traduzir e publicar...Se tiver que esperar muito perco o interesse. Ainda por cima as editoras portuguesas editam uma saga em seis quando podiam editar em três, tipo as Crónicas do Fogo e do gelo. Acho que tenho pelo menos três ou quatro sagas por acabar na estante. O melhor é nem as começar.

 

Embirro com romances eróticos estilo Cinquenta Sombras. Já falei disto aqui, não se trata de uma questão de escrita ou pelo facto de ter cenas de sexo. Simplesmente não concordo com a imagem que tais livros passam. Nem sequer tento ganha-los em passatempos. Algumas sinopses são mesmo de fugir. Mal por mal prefiro os vampiros. Com livros dentro de saquinhos! Não suporto livros dentro de sacos coloridos ou com lacinhos ou mesmo com brindes...Não sei se isso aumenta as vendas, mas creio que as editoras pensam que as mulheres, porque enfim são mulheres, vão querer os livros que têm brilhantes na capa tal como os anunciantes de carros pensam que as senhoras só se interessam pela cor...Acho que nem tanto ao mar nem tanto á terra. Alguns saquinhos nem dão para abrir para ver o livro que está lá dentro! E com obras que toda gente corre em massa a ler...É uma atitude um bocado snob, mas sempre fui avessa a isso do se toda a gente compra é porque deve ser bom. Tenho conseguido escapar relativamente incólume as estas modas e creio não ter ficado a perder grande coisa por nunca ter pegado num Dan Brown.

 

Ás vezes fico a saber a história toda antes de ter tempo de comprar o livro, como aconteceu como o A Culpa é das Estrelas. Nem li ainda e já sei partes de cor, a sério o pessoal parece que endoideceu (e agora até deu em filme). No caso das novidades literárias também é uma questão de dinheiro e tempo contado...Nunca hei-de perceber como é que algumas pessoas conseguem ler tudo o que é lançado. Por acaso não embirro com muitos escritores. Quando não gosto não leio, mas acho que nem que tivesse todo o tempo do mundo leria romances da MRP. Assim que a senhora parece na televisão mudo logo de canal. Não suporto, mesmo...E plágios, se bem que neste caso não há muito a fazer porque devem ser para aí metade do que se publica. Fora isto tento ler de tudo...No fundo não sou esquisita.

Mais reflexões sobre o mal

 

Uma vez cortei um peixinho de aquário aos pedaços. Estava morto, obviamente. Não tinha lógica tirar o peixe da água e tentar acertar-lhe com uma faca enquanto ele estrebuchava na bancada. Tirei-lhe os olhos e depois cortei-o em partes...Ás tantas comecei a ficar frustrada e o desgraçado acabou não só de órbitas vazias como desfeito e havia escamas por todo o lado. Não é muito diferente do que se faz com os peixes comestíveis, mas mesmo assim quando contemplei o que tinha feito arrependi-me. Ele não me fez nada para eu profanar com tal violência o seu corpo escamoso. Volta e meia lembro-me deste episódio. O meu cérebro é uma espécie de livro de actas: estão lá registados com pormenor todos os meus erros, inclusive esta breve e inconsequente encarnação da minha pessoa em Dexter dos peixinhos. Ás vezes custa-me mesmo adormecer...O que é estúpido, porque enfim não á forma de mudar o que foi feito. O pior é ficar a pensar no que não fiz do género "se tivesse falado naquele momento...". É uma tortura mental. Há algo de profundamente injusto no facto de as pessoas digamos mediamente boas, erros todos cometemos, terem insónias e quem é verdadeiramente mau dormir na maior paz.

 

Ter consciência é uma chatice...Há tempos atrás vi na televisão uma reportagem sobre um dirigente nazi, não me lembro nome mas também que importa, que fugiu para a América Latina e depois foi apanhado só que antes de se conseguir julga-lo ele morreu serenamente de velho. Tenho a impressão que ele devia dormia mais em paz do que eu que nunca mandei gasear pessoas. Não me parece justo, ou então penso simplesmente demais. De qualquer modo prefiro assim. O mal é um tema interessante. Por exemplo, é curiosa a tendência de dizer as crianças para se manterem afastadas de pessoas mal encaradas...Deviam ensina-las que, na verdade, o mal tem muitas formas. Talvez assim não tivessem que aprender á sua própria custa. E isso de os monstros estarem debaixo da cama...Antes lá estivessem.

 

Era tão bom que as coisas encaixassem todas nos estereótipos: isto é perigoso, isto é seguro, isto é correcto, isto é errado...Este episódio do peixinho também me fez pensar noutra coisa inquietante: a facilidade com que se atravessa a linha de separação entre uma coisa e outra. Na aparência o bem e o mal parecem estar perfeitamente demarcados, quer dizer vocês não andam para aí a matar pessoas com um picador de gelo e com uma máscara de hóquei na cara (espero que não, mas não ponho as mãos no fogo por isso), o problema é que a coisa é mais insidiosa do que parece. Uma vez para a cadeira de Psicologia no secundário tive de fazer um resumo da experiencia de Milgram e apesar de todos os defeitos que se possam apontar a esse estudo eu fiquei arrepiada. Não sei se já falei disto aqui, mas ok...É um bocado inquietante imaginar que a senhora da frutaria possa passar de pessoa simpática para um ser capaz de me dar choques até a morte. E dormir descansadamente depois disso. No fundo somos todos uns monstros em potência.

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