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Desabafos Agridoces

"Not all girls are made of sugar and spice...Some are made of sarcasm and nothing is fine"

Desabafos Agridoces

"Not all girls are made of sugar and spice...Some are made of sarcasm and nothing is fine"

Como vou acabar o ano...

 

Lendo e escrevendo claro! Atingi a meta dos cinquenta livros lidos, não que fizesse muita questão mas já agora ficava um número redondo. Li o Hamlet do Shakespeare e um livro da Banana Yoshimoto, uma escritora japonesa que descobri este ano. Gostei bastante do Hamlet, tanto que o despachei numa noite. Que obra! É tão actual e tão certo em alguns momentos que chega a ser inquietante...Depois passei para o Otelo, mas não vou conseguir acaba-lo este ano. Não quero provocar uma apoplexia a nenhum intelectual, mas aquilo é bullshit. As personagens são burrinhas e o texto é muitíssimo misógino (no Hamlet também era, mas não tanto)...Só li até meio ainda. Entretanto, tenho aproveitado para por os registos literários em dia, há quem use o goodreads e há quem ainda viva no outro século tipo eu. Infelizmente não dá para escrever muito porque me dói o dedo mindinho e não consigo agarrar a caneta. Um ponto para o digital. Também estou a fazer de conta que o ano não acaba amanhã...Odeio passagens de ano, mais ainda que o dia de São Valentim. É nestas alturas que mais tenho saudades da minha cadela - Ela era o ser que mais detestava o fim de ano a seguir a mim. Por causa do barulho...Já os meus pássaros não querem saber. Não pensam sobre o assunto e por isso são mais afortunados que eu que só consigo pensar em coisas negativas. Amanhã vai ser um péssimo dia...

Mais apontamentos fotográficos...

...de um qualquer fim de semana, tirados com o telemóvel e agora resgatados da pasta

 

 

 Rastos efémeros...

 

 

 "o que eu queria era ser uma sardinha de verdade..."

 

 

 Além de derrocada e de afogamento quais serão os outros perigos?

 

 

 Big World...

 

 

Caminho para Neptuno

Divagações a prepósito de uma blusa

Há dias vi um saco com roupa que já não me serve no quarto, não no meu mas no outro que está livre e onde está a minha estante. Não era coisa que me fizesse parar mas no topo vislumbrei uma blusa da qual costumava gostar muito e andei a remexer. Não devia ter mexido naquele saco. Por que antes aquela roupa servia-me, mas mais importante era um pouco mais feliz que agora. É incrível como as pessoas atribuem significado ás coisas mais simples...É a nossa condição humana creio eu. Estamos sempre a atribuir significado ás coisas e a incorpora-las na nossa experiencia pessoal. É apenas uma blusa num saco, mas para mim é mais que uma blusa igual a  milhão de outras num saco. Encontrei a blusa no cimo do saco e lembrei-me de um monte de coisas. Memória é como ter céu e inferno ao mesmo tempo. Na altura tinha imensas expectativas. Era talvez um pouco tolinha, mas também não pensava muito nisso. As pessoas que pensam muito normalmente são infelizes. Acreditava em mais de seis coisas impossíveis antes do pequeno almoço. E depois comecei a cair, não sei a que ponto do trajecto. Nunca tinha pensado nisto até ver a blusa num saco. Olhei-a e pensei que dei uma grande queda. Ás vezes acontece: damos um passo em falso e quando damos por nós estamos tramados e sem hipótese de voltar atrás. Antes achava as pessoas boas, acreditava no fundo da caixa de Pandora e que a vida era bela e não havia jardineiro. Acreditava que podia ser uma gaja normal, If I get a little prettier Can I be your baby?, e creio que foi nessa altura. Uma pessoa trama-se sempre quando acredita nestas coisas. Talvez se analisar as coisas com racionalidade, veja que não há razão para queixa. Mas não sou muito racional, se fosse não estaria a escrever isto e não teria parado para ver a blusa no topo do saco. Verde, não sei por que razão...Só costumo usar roupa preta, para parecer mais magra. Mas a blusa é de um verde insultuoso. Se fosse racional diria que tragédia seria ter de atravessar o deserto para apanhar um barco para um país que não conheço. Se calhar lixei-me quando pensei que poderia atravessar o deserto onde não há pontos de referência. Uma vez num documentário vi um deserto onde fazia um calor insuportável de dia e um frio mortal á noite...Interessantes ecossistemas os desertos não? Acho que nunca teria pensado nisto se ainda usasse a tal blusa verde...Ao menos no deserto estamos sozinhos e não temos de nos mascarar. As pessoas costumam mascarar-se no Carnaval não é? Falso. As pessoas fazem isso todo o ano, mas ás vezes nem se apercebem...E talvez seja o melhor. Se todas as máscaras caíssem ninguém aguentaria...Portanto está tudo bem. 

Ainda sobre as leituras do ano e outros...

Estive a fazer as contas e verifiquei que este ano li 48 livros...Como ainda faltam uns dias pode ser que consiga ler mais um ou dois, mas o número não deve ultrapassar os 50. Não sei se li menos ou mais que o ano passado, pois só recentemente é que ganhei o hábito de tomar nota das leituras. Faço-o de uma maneira muito moderna: num caderno. Mas creio que foram menos. Ando muito preguiçosa ultimamente e isso também se reflecte na minha lista de espera que conta mais ou menos com uns 30 títulos. Pode parecer pouco para algumas pessoas, mas para mim é bastante. Parece que se multiplicam por vontade própria...Fiquei algo decepcionada, não que tivesse estabelecido qualquer meta, mas podia ter lido mais.

 

Vendo pelo lado positivo houve muitas obras que me agradaram: Conversas na Catedral da qual falei anteriormente, mas também O Elefante Evapora-se do Murakami; Outras vozes; outros lugares do Capote; Não matem a Cotovia da Harper, A Verdadeira Vida de Sebastian Knight do Nabokov...Li pouco, mas em bom! Tive algumas boas surpresas: no início do ano com O Olho de Hertzog de João Paulo Borges Coelho, vencedor do premio leya em 2009 (um óptimo romance histórico) e mais recentemente com A Vida de Sonho de sukhanov de Olga Grushin sobre um homem que pensa ter tudo e afinal não podia estar mais pobre. Muito bem escrito e construído. Tenho de ler mais autores russos e mais livros de contos, pelos quais ganhei um grande gosto. Tive uma desilusão: A Fórmula de Deus...Seriously.

 

Li 29 autores, 19 autoras e infelizmente só 6 portugueses...Destes 48, creio ter chorado em 3. Em minha defesa devo dizer que eram mesmo tristes. Malfadadas histórias passadas na guerra...Não sei porque ainda as leio. Tentei fugir ás modas literárias e ainda bem, pois de facto não são para mim: há dias encontrei uns capítulos de um livro erótico na net e decidi-me a ler. Gente, aquilo tenha cenas de sexo que duravam mais de cinco páginas...Adormeci a meio. Redtube senhoras, é de borla e inclui imagem e som (cuidado é para não encaixarem mal os phones...). 

 

Fora isto, não vi nada de jeito no cinema ou na televisão. Ouvi Lana Del Rey até cair para o lado (é o que estou a ouvir agora: You make me wanna be like one of those girls, from the 1950s wearing those big pearls...) e mantive-me longe de músicas da moda com letras nojentinhas. Fui ao Berardo constatar que a arte moderna é demasiado weird para mim, encontrei blogs porreiros e ganhei alguns seguidores. Noto, no entanto, que quase só tenho seguidoras...Compreende-se. Eu falo muito de sapatos e maquilhagem aqui. E continuo tão alone como antes. Já não tenho esperança que a coisa se altera a este nível. Ah sim, acabei o curso. Devia estar contente...

 

(não, mas quase...)

 

Acualização: este post está em destaque...Obrigado Sapinho :D

Desafio Sapo: a leitura preferida de 2013

O melhor livro do ano? Difícil…A minha mente está sempre povoada de personagens, de sítios inventados...Vivo muito no interior de mim, tanto que ás vezes me esqueço do exterior. Cada um faz o que pode para sobreviver não é? Mas regras são regras e vou escolher apenas um: Conversa n' A Catedral do Vargas Llosa. Pelo prazer, mas também pela dor...Confuso?

 

 

Primeiro um bocadinho da história: Santiago Zavala, cronista num jornal de Lima, encontra por acaso Ambrósio, o ex motorista do seu pai. Período temporal: anos cinquenta, o Peru acaba de sair de oitos anos de ditadura (1948-1956). Sentam-se num bar gorduroso chamado A Catedral e põem a conversa em dia. Não se vêem há anos e têm muito que contar e que revelar um ao outro. Ambos estão na fossa: Santiago escreve desinteressantes artigos sobre a raiva que grassa em Lima e Ambrósio mata cães á paulada no canil. É um longo diálogo que vai do passado, quando um era motorista de gente importante do governo e outro um menino rico com ideias revolucionárias, para o presente onde se encontram ambos tramados. É também o retrato de um país sufocado pela ditadura, corrupto e moralmente sujo. 

 

Ler este livro foi como desmontar uma imensa matrioshka peruana, pois o diálogo central desdobra-se em múltiplos diálogos secundários, que se misturam, em múltiplas figuras e lugares evocadas pela memória dos nossos protagonistas. Ninguém disse que a memória era uma coisa linear...Temos o braço forte do regime um tipo pequeno e pouco expressivo que vê tudo qual grande irmão ("Queres dizer que os sacanas não têm caro de sacanas, Ambrósio"), uma empregada que sabe coisas improváveis do patrão, jovens revolucionários, jornalistas bêbedos...As respeitáveis avenidas de Lima e os bordeis. Os subúrbios e os corredores do poder, cujos os mecanismo de funcionamento são notavelmente descritos. Tudo ligado entre si, por vezes de maneiras que não nos são logo dadas logo a perceber...E o que torna o exercício da leitura ainda mais compensador. Mas lembram-se de ter falado de dor no início?

 

A beleza, por vezes fere...É que não há nada de romântico neste enredo: as personagens, e não só as principais, só têm duas alternativas – foderem ou ser fodidos. Um mundo cão, que me levou a pensar na nossa propria realidade: quantos de nós tal como Santiago não contemplamos as ruas do nosso país sem amor? Andamos cabisbaixos e pensamos onde está a porra da solução. Mais até que a sujidade e a corrupção o que sobressai na história é o desanimo e a total falta de esperança de todo aquele ambiente ("Não faças tanta festa - disse Carlitos - o fim do Odría é o principio, de quê?").

 

Surpreendeu-me a sensação de reconhecimento, que muitas coisas continuariam a ser pertinentes se o país fosse outro também começado por P. Não é a pergunta que se faz todos os dias ? Em que altura isto deu para o torto...Também  sentem o verme da estagnação a comer-vos por dentro? Por isto tudo: um enredo intricado, personagens memoráveis, uma escrita magnifica recheada de ironia e humor ("o jornalismo não é uma vocação, e sim uma frustração..."), mas também pela sua actualidade, não podia ter escolhido outro livro como melhor do ano. E assim remexendo nas entranhas da desinspiração respondo á pergunta do sapinho. De maneira algo extensa, mas tinha de justificar a escolha. Melhor só lendo mesmo, este ou qualquer outro…Perder-se entre páginas.

Para abrir a semana

A primeira vez que ouvi falar na Lorde pensei que fosse mais um floop...Mais uma com boas prateleiras que não canta um chavo. Quando eu era miúda, ainda existiam boas intérpretes e letristas...Mas hoje em dia não se espera que as artistas sejam mais que um pedaço de carne vendável. De modos que torci um bocado o nariz a novidade, mas entretanto o youtube decidiu por umas musicas da moça na minha lista de recomendações e fui espreitar. Nada mal, pelo menos por enquanto:

 


Wait 'til you’re announced
We’ve not yet lost all our graces
The hounds will stay in chains
Look upon your greatness
That you’ll send the call out
(Send the call out [15x])

Call all the ladies out
They’re in their finery
A hundred jewels on throats
A hundred jewels between teeth
Now bring my boys in
Their skin in craters like the moon
The moon we love like a brother, while he glows through the room

Dancin' around the lies we tell
Dancin' around big eyes as well
Even the comatose they don’t dance and tell

We live in cities you'll never see on screen
Not very pretty, but we sure know how to run things
Living in ruins of the palace within my dreams
And you know, we're on each other's team

I'm kind of over getting told to throw my hands up in the air, so there
So all the cups got broke shards beneath our feet but it wasn’t my fault
And everyone’s competing for a love they won't receive
'Cause what this palace wants is release

We live in cities you'll never see on screen
Not very pretty, but we sure know how to run things
Living in ruins of the palace within my dreams
And you know, we're on each other's team

I’m kind of over getting told to throw my hands up in the air
So there
I’m kinda older than I was when I revelled without a care
So there

We live in cities you'll never see on screen
Not very pretty, but we sure know how to run things
Living in ruins of the palace within my dreams
And you know, we're on each other's team
We're on each other's team
And you know, we're on each other's team
We're on each other's team
And you know, and you know, and you know

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