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Desabafos Agridoces

"Not all girls are made of sugar and spice...Some are made of sarcasm and nothing is fine"

Desabafos Agridoces

"Not all girls are made of sugar and spice...Some are made of sarcasm and nothing is fine"

Devia estar contente...

No início do ano eu tinha dois objectivos principais: não me matar e não matar ninguém. Na verdade, não são dois objectivos é mais um lema de vida: se eu chegar ao fim do dia sem que nenhum dos factos anteriores se verifique então é porque foi um bom dia, a despeito de tudo o que possa ter também acontecido. Neste momento estamos a meio do ano e penso ter motivos para me alegrar, pois a modos que ainda cá estou. Já disse que o Verão me deprime? Pois é, se me oferecessem um bilhete para a Lapónia aceitava com todo o gosto. Eu não funciono como o resto das pessoas: para elas começou o tempo da praia, para mim acabou. Enfim, também ainda não mandei ninguém para o além, embora num certo dia em que estive quarenta minutos para pagar três cêntimos na secretaria da faculdade me tivesse apetecido muito. Não sei porque é que o pessoal me chateia, tendo em conta que o instinto de sobrevivência até agora tem levado a melhor.

 

Sobre anti-heroínas

 

 

Ando a reler um livro que se passa em Veneza algures no século XIX e cuja personagem feminina principal é o que se pode chamar de uma femme fatale. Bela e com poucos escrúpulos, basta estalar os dedos para que os homens se arrojem aos seus pés e depois destrui-os apenas por capricho. Tudo com muita classe e postura. Ora, enquanto relia a sinopse do livro pôs-me a pensar que na literatura em geral não se encontram muitas personagem deste género. Não que eu tenha lido ainda muito, mas do que já me passou pelas mãos, parece-me que o número de heroínas é bastante superior ao de anti-heroínas. Acho que os leitores tem maior tendência para gostar das primeiras. Personagens tipo Jane Eyre com fortes convicções e valores. Já as segundas geralmente são adúlteras, mesquinhas, de moralidade dúbia e ambiciosas (característica condenável numa mulher, como se sabe...) e por isso não gozam de simpatia. Mesmo quando são rebeldes e desafiam as regras é sempre preferível que o façam do ponto de vista intelectual tipo Elizabeth Bennet, do que do ponto de vista sexual. Isto é perfeitamente aceitável numa personagem masculina, mas nunca numa feminina. É como a ambição.

 

Assim de repente a primeira anti-heroína que me lembro é Rebecca Sharp do livro do Thackeray (Vanity Fair). Ela é tudo o que eu disse acima: é pobre e quer á força chegar á nata da sociedade, escrúpulos nenhuns e maldade muita. Também há uma heroína neste livro que pelo lado oposto é tão boazinha que até a escrava Isaura se envergonharia de si própria. Claro que Rebecca é mais inteligente e proporciona momentos de leitura muitíssimo mais divertidos. Outro exemplo: Madame Bovary. Sempre que me aparecem no reader opiniões sobre esta obra leio com curiosidade e verifico que Emma não suscita muita simpatia, talvez por fugir ao estereótipo habitual de mulher bem comportada. Há quem lhe encontre atenuantes e quem não suporte tal personagem, adúltera e gastadora. De facto, ao ler opiniões a certos livros notam-se coisas interessantes do ponto de vista sociológico. Pessoalmente gosto de ambos os tipos de personagens: as tipo Jane Eyre e as outras mais dúbias...Só não gosto de personagens sem sal, que sejam imediatamente esquecidas assim que se fecha o livro. Isto costuma acontecer quando os autores descoram a construção das personagens deixando-as mais finas que uma folha.

 

Também me lembro de outra Emma, a livro da Jane Austen com o mesmo nome. Não que ela seja má, simplesmente é um pouco tolinha e não corresponde àquilo que são as heroínas habituais da autora. Além de um pouco superficial, Emma é bonita, rica e gosta de fazer de casamenteira...Isto é dito na primeira linha do livro e desconfio que metade das leitoras torce logo o nariz. Por acaso gosto mais deste livro do que do Orgulho e Preconceito: é mais corrosivo. Nos romances contemporâneos lá vão aparecendo algumas mulheres assim. A personagem da qual falei no inicio pertence a esta categoria; Zozie de l’Alba que entra nos Sapatos de Rebuçado da Joanne Harris (esta é mortal no sentido literal da palavra); Alice que é a personagem do segundo capitulo do Enquanto Salazar Dormia...Uma femme fatale por excelência. Mas sinceramente acho, e tendo em conta as novas modas literárias, que este género de personagem não está na moda. Mas este facto em concreto ficará para outro post. 

Sobre crescer...

 

Outro dia estava estava a ver o canal panda enquanto a minha sobrinha comia, eram umas sete da tarde e deparei-me com uns desenhos animados cuja a história era curiosíssima: um bando de miúdas estava a andar de bicicleta e há uma que cai e torce um pé começando logo num pranto. Até aqui todo normal enfim cair de bicicleta deve doer, mas o problema era mais profundo: é que ela queria ir ter com um miúdo de quem gostava e assim estropiada já não podia ainda por cima aparece lá uma bitch qualquer que lhe diz que o gajo não gosta dela e outras maldades assim. A miúda ao ouvir isto chora que se desunha e as amigas penalizadas pelo facto decidem-lhe arranjar um encontro com o tal tipo. Qualquer semelhança entre isto e uma novela mexicana é pura coincidência. Depois de uma pesquisa descobri que estes desenhos animados são uma adaptação dos livros da Anita. Ora, no meu tempo a Anita era uma criança reguila de uns dez anos para aí e que tinha um cão chamado pantufa...Mas eu devo estar desactualizada, porque agora as miúdas de dez e onze anos já sofrem desgostos amorosos. Juro que não fazia ideia...Eu quando tinha dez anos ainda estava na primária e a minha preocupação era escapar ás reguadas da professora. Só uns três anos depois é que outro género de preocupações passaram a fazer parte da minha lista...Estes miúdos crescem tão rápido hoje em dia. A sério... Outro dia estava estava a almoçar com uma amiga no Colombo e ás tantas reparo que ela esta com um ar um bocado chocado...Perguntei-lhe o que era e ela diz-me que estão dois putos a comerem-se na mesa de trás e eu rio-me e digo-lhe que estamos as duas a ir para velhas. Mais tarde voltamos a avistar outro casalinho do lado de fora da Imaginarium, onde tínhamos acabado de entrar (efeitos da Primavera só pode...) e eu penso para mim, porra os miúdos ali naqueles preparos e eu aqui a carregar nos botões das máquinas registadoras de brincar e a mexer nos caleidoscópios (tenho uma pancada por caleidoscópios, se não fossem tão caros comprava uns quantos). Deprimente eu sei, porém cheguei a conclusão que alguém devia dizer a estes miúdos que crescer é uma das maiores armadilhas da vida. Devíamos todos dar mais ouvidos ao Ackbar.

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