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Desabafos Agridoces

"Not all girls are made of sugar and spice...Some are made of sarcasm and nothing is fine"

Desabafos Agridoces

"Not all girls are made of sugar and spice...Some are made of sarcasm and nothing is fine"

Música Portuguesa

A dulcíssima voz de Mónica Ferraz a terminar um sábado estafante...

 

 

Se a chama chega,
E ninguém chega à chama
De que vale arder?
Se o barco parte sem velas,
De que serve a maré? 

Não se mostra o trajecto
A quem parte para se perder
Não se dá boleia
A quem precisa de ir a pé

E é como quando pensas que estás a chegar
E não deste um passo

Onde estou, nada mais pode crescer
Eu sou assim, uma fênix a arder
São só os meus erros, é toda a minha culpa

Hoje até o ar anda cansado
Preciso de um enigma
Para pôr fim ao propor
Não sei o que me deu, não costumo estar assim
Desco a rua que passa, rente à boca do mundo

Sinto a vida que passa
E os rumores que circulam na boca do mundo

Onde estou, nada mais pode crescer
Eu sou assim, uma fénix a arder
São só os meus erros, é toda a minha culpa
E é tudo o que faço
E é todo o meu cansaço

Por fim, por fim...

Onde estou, nada mais pode crescer
Eu sou assim, uma fênix a arder

Onde estou, nada mais pode crescer
Eu sou assim, uma fénix a arder
São só os meus erros, é toda a minha culpa
É tudo o que faço
E é todo o meu cansaço 

E é tudo o que faço
E é todo o meu cansaço 

Por fim, por fim...

Sinto a vida que passa
Na boca do mundo, não se sabe quem é quem...

Prou!

Confesso que não tenho acompanhado os noticiários ultimamente. Do pouco a que assisti, pode notar a falta de destaque dado à notícia da proibição de touradas na Catalunha. Claro que tudo se baseia em valores notícia, que é a segunda coisa que se aprende nas aulas de redacção do meu curso.

Adiante…passo, então, a citar: “Parlamento da Catalunha decidiu proibir as touradas a partir de Janeiro de 2012. Por 68 votos a favor, 55 contra e nove abstenções os deputados catalães aboliram as corridas de touros, culminando um processo iniciado em 11 de Novembro de 2008 quando o hemiciclo regional autorizou a tramitação de uma Iniciativa Legislativa Popular sustentada num abaixo-assinado com 180 mil assinaturas” (Fonte: notícia do Público). Convém dizer que a Catalunha é a segunda região espanhola a proibir as corridas de touros, depois das ilhas Canárias em 1991.

Há séculos atrás mandavam-se pessoas para as arenas, hoje manda-se animais indefesos… hoje em dia o “espectáculo” é mais hipócrita. Dissimula-se o gosto pelo sangue, dizendo que os animais não sentem nada, são irracionais.  Tantas séculos e é esta a evolução que se regista...

A mim faz-me bastante impressão todo o cenário em si, especialmente os risos. Como é que alguém se ri de ver um animal e ser torturado até à exaustão? A única coisa que não me arrepia é aquela parte dos forcados, pelo menos é mais justo, se é que isso existe ali naquele circo.

Ora, acho que esta proibição é um passo importantíssimo, que mostra que as mentalidades estão a mudar. Em Portugal é tudo tão lento…é tradição, é tradição. Também era tradição as adolescentes casarem-se, terem uma caterva de filhos e ficar em casa a lavar pratos até morrer. Pensando bem também era tradição fritar pessoas ali no Terreiro do Paço (aquele cheirinho a carne queimada misturado com a maresia…). Entretanto andei a pesquisar e encontrei a opinião de um matador de touros português que diz, cito –“ Sinto que estou a anular o sofrimento do touro e a dignificar a sua morte na arena. A arena é um cenário onde a morte é real”. Estou indecisa entre comentar esta afirmação e ir amarrar um gato à linha do comboio, para o dignificar e anular o seu sofrimento. Mas só quando passarem aqueles comboios que vêem das Caldas, bem lentos….para tornar a morte mais real.

É triste quando um país tem a tortura como tradição. Deixo um vídeo:

 

Inspira-me: a minha praia preferida

 

Aqui nesta praia onde
Não há nenhum vestígio de impureza,
Aqui onde há somente
Ondas tombando ininterruptamente,
Puro espaço e lúcida unidade,
Aqui o tempo apaixonadamente
Encontra a própria liberdade

sophia de mello breyner andresen

  

 

Não gosto muito de fazer praia, mas quando faço vou sempre para o Portinho da Arrábida. É uma praia linda, mesmo no fundo da serra.  Não tem muita gente... fica a uma hora de caminho (quem vem de Lisboa de carro). Mas vale apena, porque a vista é de cortar a respiração. quando se sobe a serra a primeira coisa que se ve é o mar, azul profundo em contraste com o céu, como se os dois se fundissem num abraço eterno. Depois começa-se a avistar o areal. uma faixa pequenina encrava entre o mar e a serra escarpada...de um lado o mar, amante ternurento, e do outro serra, imponente e séria, vigilante como uma mãe. O mar não ondeia aqui, só é preciso ter cuidado com as correntes. Quando o sol escalda, pode-se descansar junto ao arvoredo.

 

 

Ao final da tarde o sol esconde-se por trás da serra, mergulhando a praia na penunbra, impondo tréguas entre os demais elementos. é. Como eu disse é uma praia que não tem muita gente, mas os estacionamentos são escassos (e pagos). Convém ir cedinhos, para não terem que andar uma hora até chegar ao areal. Naquela zona existem também umas ruínas romanas, penso que são tanques de salga de peixe (a última vez que lá foi tirei fotos, mas desapareceram do pc).

É dos sítios mais bonitos que conheço, recomendo vivamente que visitem.

O queijo

Como é sabido os currículos escolares incluem a leitura de certas obras de autores portugueses. Ora, isto de por os alunos a ler Camões, Saramago, Pessoa, etc…é muito bonito. Era ainda mais bonito se a obras fossem, de facto, lidas. 90% (com algum optimismo) dos jovens nunca chegam a pegar em obra nenhuma, safam-se com aqueles horrorosos livrinhos de capa amarela, ou pior ainda: apontamentos sacados a alguém na véspera dos testes. Safam-se, porque a análise das obras nas aulas é tão superficial, que minimamente bem feitos, esses apontamentos chegam. Parece que ninguém está preocupado em saber por é que é os ditos livros não são lidos, nem com o facto de os alunos entrarem (e saírem) das faculdades tão ignorantes culturalmente. Sinceramente, não se pode esperar que alguém que nunca leu nada na vida, vá ficar extasiado com Os Maias.

Este é um país onde há quase um milhão de analfabetos (Fonte: notícia do Público), por isso o problema é estrutural. É preciso ler para os meninos e meninas logo desde pequeninos; não é só ensiná-los a juntar as letrinhas, é preciso colocar livros adequados à sua disposição. Olha que outra coisa tão bonita de se dizer…O problema é que em casa também devia haver estímulo e parece-me que isto é um círculo vicioso: se os pais não tiverem hábitos de leitura a criança terá dificuldade em adquiri-los (à excepções evidentemente). Não sei até que ponto se pode sensibilizar os pais: como é que se diz a uns pais que tem de lutar para por comer na mesa que devem comprar livros para os filhos? Neste país um livro é um objecto de luxo. E como é que se tem resolvido estes problemas? Qualquer dia distribuem exames com a folha de respostas junto, qualquer nem preciso às aulas ir (então aquele que se mata a estudar tem a mesma nota daquele que andou de papo pró ar e no fim fez um exame? Nada porreiro pá…). É numa geração hipotecada… a hipotecar a próxima.

Voltando aos livros: parece-me que os programas também não ajudam. Então, num ano dão-se duas obras, no ano a seguir não se dá nenhuma e no outro dão-se três? Estes programas não estão adaptados aos alunos, a sua utilidade, em alguns casos, também é discutível. Quantidade não é sinónimo de qualidade. Quanto mais se tenta açambarcar pior: se não lermos as obras, não é nas aulas que vamos ficar a conhece-las, porque é tudo dado sempre à pressa. Às vezes não parecem aulas, parecem corridas de obstáculos…azar para os que caem. Não há espaço para o essencial: desenvolver o pensamento, tira-lo os alunos da sala, mostrar outras coisas (é preciso cumprir o programa, qual senhor déspota e feroz); é só enfardar matéria e siga (ah povo individualista, abúlico e destituído de espírito crítico! Já dizia o outro…). Nem perguntam aos petizes por que não gostaram daquilo…devo dizer que não sou boa pessoa para discutir se os Maias é uma obra chata, porque sou apaixonada por Eça (é tão divertido!), a única coisa que não gostei assim por ali além foi O Frei Luís de Sousa, que achei entediante. Porque não há uma adaptação, consoante as necessidades específicas das pessoas? Já me esquecia, são 35 alunos por turma…

Penso que isto não vai lá com operações de cosmética, pensando bem em Portugal não se deveria chamar ensino, mas antes queijo suíço, se bem que não tarda nada é queijo fundido (nada de trocadilhos fáceis, vá…).             

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