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Desabafos Agridoces

"Not all girls are made of sugar and spice...Some are made of sarcasm and nothing is fine"

Desabafos Agridoces

"Not all girls are made of sugar and spice...Some are made of sarcasm and nothing is fine"

Reflexões Sobre Livros e Liberdade...

No 25 de Abril deste ano tive de sair para tratar de um assunto e não reflecti muito sobre o significado do dia, foi mais "que porreiro que hoje é feriado"...Ora, na mala levei um livro para ler no caminho, como faço habitualmente. Era um pequeno livro de Jorge Amado chamado Suor, escrito em 1934. A dado momento apercebi-me que se não fossem os acontecimentos daquela data eu nunca poderia estar a ler aquele livro, dado que seria considerado subversivo. Isto levou-me a pesquisar e dei de caras com a lista de livros proibidos pelo Estado Novo de 1933 a 1974. Posso dizer que sou orgulhosa possuidora de meia dúzia destes livros, o que não é difícil porque lá está a Lolita, o Não Matem a Cotovia, o Bel-Ami, a Madame Bovary além de Dostoievsky, Alves Redol e enfim tudo o que soe vagamente erótico ou vermelho. Voltei a lembrar-me disto no passado Domingo porque me ofereceram um livro sobre o socialismo em Cuba, publicado em 69 e obviamente proibido. Por que razão me ofereceram isto? não faço ideia, mas pronto a cavalo dado não se olha o dente...

 

Não se pense porém que isto é coisa do tempo do outro senhor, volta e meia na América são divulgadas listas de livros censurados ou que sofereram tentativas de censura como As Aventuras de Huckleberry Finn (por ser considerado racista...bem, duh foi escrito em 1884), os Pilares da Terra e até livros da Jodi Picoult. Mas os putos verem violações, tortura e assassinatos em massa na TV já é perfeitamente aceitável. Santa hipocrisia...Publiquei uma lista destas nos primeiros tempos do blog. Sou um bocado sensível a estas questões devo dizer...É que quando nasci não havia livros em casa e o meu pessoal não é muito amigo disto de ler. Portanto sempre fui eu a escolher as minhas leituras, e ás vezes lá calhava qualquer coisa menos própria...E não morri. Não concebo proibir os meus filhos de ler isto ou aquilo porque não é para a idade deles. Se eles deitarem a mão a um livro mais adulto, lá estarei eu para explicar (por isso também não concordo que se impeça os miúdos de verem os telejornais...Eles vão saber as coisas de qualquer maneira). Isto de proibir livros dá-me uma comichão dos diabos...

 

 

(Pessoas corajosas no parque Gezi. Tirei daqui

 

Ás vezes estou a limpar a minha estante, processo moroso mas que me acalma, e penso que como isto anda qualquer dia ainda me entram pela casa a dentro para me queimar os livros. Não há nada mais perigoso para um regime repressivo do que aqueles centímetros de espaço dentro da nossa cabeça, como dizia o Orwell, por isso é preciso moldar rapidamente esse espaço proibindo qualquer coisa que nos ponha a reflectir. Os livros são perigosos, põem o pessoal a pensar no que não deve...Há uns anos li um livro chamado Uma História da Leitura de Alberto Manguel. Uma delicia para qualquer bibliófilo! Tem capítulos que falam da invenção da escrita, da organização das primeiras bibliotecas, como se aprendia nas escolas do século XV...E tem um que versa precisamente sobre a censura: fala dos métodos de censura na China antes de Cristo, passando pelo índex da Igreja Católica (que ainda existe creio...) e pelas fogueiras do nazis...

 

Realmente, por mais que as pessoas desprezem a leitura, e ainda há muitas e muitas que o fazem neste país, o facto é que não há arma mais poderosa que um livro: as armas ditas normais podem matar centenas talvez milhares de pessoas, mas a censura de livros e o facto de se impedir a população de obter educação mata muitos mais milhões de pessoas, muitas que ainda nem nasceram. Condena gerações inteiras.

 

 

(Foto de Steve McCurry. Tirada daqui)

 

Quando penso nisto lembro-me sempre do caso da Malala Yousafzai...Quem lhe fez aquilo sabe bem o quanto as palavras podem ser poderosas, e assim o souberam os ditadores do passado. Acho que ás vezes não damos o verdadeiro valor aos livros, tão facilitado é o acesso apesar da crise. Que privilegio é podermos ir a uma livraria perfeitamente ás claras! Curiosamente li em tempos num blog algo sobre um tipo que dizia que nos países onde se lê pouco os livros deveriam ser proibidos, pois como se sabe o que é proibido é sempre tentador...Espero que nunca cheguemos a tal ponto. Que medo...

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